segunda-feira, 21 de março de 2016

não pira

O quão grande são meus problemas? Vem, estrala seus dedos e relaxa e vamos conversar. Essa pode ser uma conversa estranha, posso falar coisas que não acredito totalmente e eu sou a primeira a falar e depois é sua vez.

Hoje foi o primeiro dia de terapia, eu conversei bastante não houve desperdício, lá estava eu sentada em uma poltrona dura com a adorável doutora que sorria sem parar, mas não de um jeito irritante e sim acolhedor, uma coisa que me fez refletir foi ela dizer as cobranças te levaram a uma situação desesperadora que só lhe trouce mais cobranças.

Estou aqui pensando em todos os possíveis problemas, nos avisos que esqueci de dar, ou por algum motivo resolvi que era melhor ficar calada, as roupas que eram infantis demais, ou eram iguais da minha irmã, ou não combinavam, o trajeto da escola para casa, as promessas quebradas dos meus pais, as dúvidas em relação a minha fé, os professores que faltaram, os amigos que não tinha, os amores que não eram recíprocos, o cabelo que não se encaixava...

Poderia escrever o dia inteiro sobre todos esses problemas, e sim eles são problemas, mas o quão grande eles são?

Porque eles devem importar o resto da minha vida? Porque tenho que sofrer com eles? Não tenho como voltar no tempo e se tivesse faria tais mudanças, será que não é melhor que eu fiquei no presente pelo menos de vez em quando?

terça-feira, 8 de março de 2016

grita um pouco mais alto

as vezes precisamos gritar como uma banshee para não sufocar  


enquanto sobrevivia a todas aquelas pessoas tóxicas que me cercavam, estava cada vez mais cansada, sei que a música diz que o que não me mata me deixa mais forte, mas não era assim que me sentia.
sentia que o mundo era injusto demais e não valia a pena ser salva para viver nele, quem quer viver em um lugar onde não se pode sair a noite sozinha, onde há toque de recolher, onde o tráfico reina, quem quer viver em um mundo nada hospedeiro.
é claro que nosso planeta (nem tanto) azul, não tem culpa, apontar os dedos para os supostos culpados, não vai ser produtivo, estamos todos aqui nessa bagunça e ninguém parece se importar, acho que talvez é porque não tenham tempo, talvez estejam tão ocupados trabalhando para pagar suas dividas que não suportam a ideia de esforço mental.
devo isso a minhas irmã, devo isso para as minhas ancestrais que foram queimadas na fogueira, não devo me calar, não devo desprezar todas antes de mim que se sentiam impotentes, mas fizeram algo a respeito, de todas as outras vezes que comecei algum projeto e ele não foi pra frente, nunca deixei claro para quem eu estava fazendo isso, qual minha causa, porque deveria continuar. agora está tudo esclarecido na minha mente o projeto MORANGUDA é para empoderam mulheres maravilhosas, é para promover a #leiamulheres, é para nos tornamos juntas autossuficientes nos livramos daquilo que dizem ser essencial, é para contar quantas cientistas, quantas escritoras, astronautas, esportistas, atrizes, diretoras, empresárias e todas as outras coisas que disseram que não poderíamos fazem e hoje fazemos com mestria. Moranguda é onde vamos desembaralhar as ideias, onde mostraremos que não somos perfeitas e isso significa que somos humanas, é uma pequena contribuição para promover a igualdade de gênero, o consumo e produção consciente, a erradicação da pobreza, a vida na terra e na água, cidades e comunidades sustentáveis, seguir e se comprometer com o plano da ONU, Moranguda será cheia de nerdices e tutorias de maquiagem, aquarelas, exercícios físicos, muita reflexão sobre coisas banais e não tão banais, um verdadeiro laboratório de ideias.
entendi o que quer fazer, mas porque quer fazer isso tudo? porque há alguns anos não teria a liberdade e o espaço que tenho hoje, há algumas décadas não poderia participar da politica, porque sou uma mulher de dezoito anos no século xxi e preciso falar, preciso ser escutada, minha perceptiva deve ser representada por mim mesma.